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| Fotos tiradas em Santos, 1/8/10 Nana foi achada na praia, dormindo na areia, embaixo de algumas estrelas. Já fazia algum tempo que vivia daquele jeito, e não se considerava uma cachorra infeliz. Achava que era assim que as coisas funcionavam, e de certa forma sua cabeça de cão nunca perguntara se poderia haver um plano B. Até que houve o dia em que duas mãos a pegaram no colo, e essas mesmas duas mãos lhe deram de comer. Uma comida quente e de gosto bom: Nana comeu como o animal que era, e seus olhinhos doces e agradecidos sorriram o sorriso dos cães. Se bem que nós também podemos sorrir com os olhos, se quisermos. As duas mãos deram-lhe uma cama quente. E, enfim, um lar. Mas Nana sempre pensava como seria a areia da praia onde dormira, e como se sentiria quando voltasse lá. E num ato de rebeldia canina (daqueles atos que nos sentimos orgulhosos de nós mesmos), Nana saiu escondida pela porta dos fundos e caminhou pela noite. E foi então que sentiu uma inquietação, e não gostou das estrelas como era de costume. Sentiu-se muito só, e apenas pensava nas suas mãos. Quando adormeceu ao lado do seu brinquedinho que fazia barulho - de plástico rosa sujo e com as marcas de seus dentinhos de adolescente - pensava que agora havia realmente conquistado um lar. E era bom. Muito bom ter conhecido a Sra. Duas Mãos. |
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Nana e a Sra. Duas Mãos
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