Foto tirada no Parque do Ibirapuera, 25/7/10
Estava sol lá fora. Eu podia ver pela fresta na cortina, quando me deitava no braço esquerdo do sofá. Aquele era meu lugar preferido na casa, pois dali eu via como estava o tempo no mundo grande que havia depois do portão. Olhei ao redor, observando as pessoas na minha casa: assistindo tevê na sala, assistindo tevê no quarto, o computador ligado em um canto, o som ligado no canto oposto. Ninguém mais parecia perceber o dia lindo que estava lá fora.
Lati alto, na esperança de que alguém me desse atenção, e então eu apontaria meu focinho para a janela, torcendo para que a mensagem fosse recebida da forma correta. Nada aconteceu: meus latidos já não faziam diferença depois de tantos anos de convívio. Acho que o ser humano é assim mesmo - acaba se fechando demais nos próprios pensamentos, e não escuta mais os latidos de ninguém.
Apoiei a cabeça sobre as minhas patinhas e esperei. O sol se mexia lentamente no céu.
Escutei as vozes dela e de sua amiga descendo as escadas. Olhei e vi que estavam pegando a minha coleira, atrás da porta da cozinha. No mesmo instante fiquei de pé e abanei o rabo (quando um cachorro descobre o quanto os humanos gostam disso, jamais consegue perder o hábito) e estiquei meu pescoço. E fui, então, colocada no carro.
Adoro passear de carro. Me faz pensar na imensidão do mundo: o quanto de lugares lindíssimos existem por aí enquanto meu donos assistem tevê ou conversam pela internet. Fico grato que no mundo dos cachorros nada disso exista, pois nos sentimos vivos durante toda a nossa vida: quando o vento bate assim no nosso rosto, quando o sol nos esquenta, quando a água refresca. Cada pequeno momento é tão grande.
No parque, andei observando tudo ao meu redor. Fico, ainda, intrigada com as crianças, humaninhos tão pequenininhos e tão espontâneos. Vai ver a espontaneidade é perdida junto com os dentes - porque eu mesma já vi minha dona arrancando os dentes uma vez, eu juro. Observei quantas pessoas pareciam felizes, mas não as duas: a conversa delas estava tensa, percebi que houve choro e desentendimento, por causa do cheiro característico.
Parei, e comecei a pular no colo dela. Porque eu queria que ela entendesse que o mundo é grande, e muito bonito, e que era um dia de sol. O que pode ser tão importante que faça valer a pena perder um dia lindo daqueles? Pulei e pulei e pulei, mas só recebi um carinho na cabeça. Não era isso que eu queria.
Eu queria que ela visse o mundo, por um minuto, com os meus olhos de cachorra feliz.
Lati alto, na esperança de que alguém me desse atenção, e então eu apontaria meu focinho para a janela, torcendo para que a mensagem fosse recebida da forma correta. Nada aconteceu: meus latidos já não faziam diferença depois de tantos anos de convívio. Acho que o ser humano é assim mesmo - acaba se fechando demais nos próprios pensamentos, e não escuta mais os latidos de ninguém.
Apoiei a cabeça sobre as minhas patinhas e esperei. O sol se mexia lentamente no céu.
Escutei as vozes dela e de sua amiga descendo as escadas. Olhei e vi que estavam pegando a minha coleira, atrás da porta da cozinha. No mesmo instante fiquei de pé e abanei o rabo (quando um cachorro descobre o quanto os humanos gostam disso, jamais consegue perder o hábito) e estiquei meu pescoço. E fui, então, colocada no carro.
Adoro passear de carro. Me faz pensar na imensidão do mundo: o quanto de lugares lindíssimos existem por aí enquanto meu donos assistem tevê ou conversam pela internet. Fico grato que no mundo dos cachorros nada disso exista, pois nos sentimos vivos durante toda a nossa vida: quando o vento bate assim no nosso rosto, quando o sol nos esquenta, quando a água refresca. Cada pequeno momento é tão grande.
No parque, andei observando tudo ao meu redor. Fico, ainda, intrigada com as crianças, humaninhos tão pequenininhos e tão espontâneos. Vai ver a espontaneidade é perdida junto com os dentes - porque eu mesma já vi minha dona arrancando os dentes uma vez, eu juro. Observei quantas pessoas pareciam felizes, mas não as duas: a conversa delas estava tensa, percebi que houve choro e desentendimento, por causa do cheiro característico.
Parei, e comecei a pular no colo dela. Porque eu queria que ela entendesse que o mundo é grande, e muito bonito, e que era um dia de sol. O que pode ser tão importante que faça valer a pena perder um dia lindo daqueles? Pulei e pulei e pulei, mas só recebi um carinho na cabeça. Não era isso que eu queria.
Eu queria que ela visse o mundo, por um minuto, com os meus olhos de cachorra feliz.

