Fotos tiradas em Santos, 31/7/10
Ele caminhava olhando sempre para o horizonte. Ignorava a conversa do casal com quem estava, mas não conseguia ignorar as mãos dadas. Aquilo doía bem no fundo do seu coração.
E ele não se importa se você não acredita que possa ter um pequeno coração canino.
O barulho do mar era calmo, e o final da tarde com aquele sol bonito e aquele calor agradável faziam as pessoas serem felizes. Ou se permitirem alguns momentos de uma leveza quase sempre impossível. As risadas surgiam em seus ouvidos trazidas pelo vento, e passeavam dentro do seu corpo, atravessando seu pêlo. Lá dentro ele parecia oco e vazio.
Se você olhasse toda a cena, de fora, diria: "É só um cachorro cansado de andar na praia!", mas, de dentro dele, ouvia-se um latido: "Sou um cachorro cansado da caminhada." Num tom resignado como se aquele cansaço já fizesse parte da sua identidade.
O casal se dava as mãos e os dedos entrelaçados, vez ou outra, se acariciavam. E aquilo doía.
Mas o que faz aquele cachorro ser maior que sua solitária caminhada? Ele jamais deixava de olhar para o horizonte.


Um comentário:
Nossa, q legal o seu blog novo, adorei! Esse texto em particular me chamou mais atenção.Que perspicácia q vc teve para escrevê-lo, parabéns msm! ;D
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