terça-feira, 28 de setembro de 2010

O nome dele é Cachorro


Fotos tiradas em Santos, 2010
Cachorro veio em minha direção, me cumprimentar. Porque, sim, cachorros cumprimentam, e também se despedem - e muitas vezes demonstram sua tristeza de cão nestas despedidas. Mas aquele era um momento feliz para Cachorro, e ele veio pessoalmente (caninamente?) me deixar ciente disso.

Não há maior alegria do que a de um cão, e eu explico. Primeiro, porque eles são essencialmente ignorantes: uma dádiva que eu, enquanto um mero ser humano, gostaria muito de ter. Eles desconhecem inúmeras vilezas que fazem parte somente do nosso mundo, e aqui não me orgulho em dizer nosso. Depois, porque são gentis - eu seria capaz de contabilizar o número de gentilezas humanas que recebi, mas isso só ampliaria ainda mais a noção de que a realidade, às vezes, pode ser mesquinha.

Cachorro é amigo de Nana. Presenciou quando ela chegou em casa, esfarrapada, triste. Talvez sofrendo dessa angústia humana do abandono. Deu-lhe o que poderia dar-lhe, ora! Um amigo cão. Quis anular todo o sofrimento, e vê-la feliz, como ele próprio era.

Então, ele tornou-se grande e poderoso, não por ter conquistado o amor de sua Nana, mas por ter sido bom. E gentil. Doou-se em pequenas partes, até que um dia percebeu que não havia perdido nada de si, mas ganhado muito na sua história.

Vai ver por isso, Cachorro veio me cumprimentar alegremente. Veio me mostrar como é a alegria de ser bom, e de amar daquele jeito tão caninamente grande.

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